
A E.A. é uma doença inflamatória
sistémica de padrão reumatismal que atinge de forma predominante
a coluna vertebral, sofrendo as articulações
sacro-ilíacas alterações muito características.
É, também, típico da E.A. a inflamação
das insercções de ligamentos, cápsulas articulares
e tendões, nomeadamente ao nível da face plantar do calcanhar
e dos contornos da bacia.
Desde 1973 é conhecida a sua forte associação
à presença de um factor imunogenético - HLA-B27.
A idade habitual dos primeiros sintomas situa-se entre
os quinze e os trinta e cinco anos. A manifestação mais frequente
é dor lombar que se agudiza com o repouso e se atenua com actividade
física. Assim, o período mais difícil é a madrugada.
Quando o início da E.A. ocorre entre o final da
infância e a adolescência, é frequente manifestar-se
como artrite isolada de uma grande articulação periférica,
a artrite unilateral do joelho.
O aparecimento em pessoa nova de uma uveíte anterior
aguda unilateral, isto é, de inflamação súbita
e aguda de um dos olhos com intolerância a enfrentar a luz, em pessoa
com a característica antigénica HLA-B27 deve levar, também,
à suspeita de E.A..
A Espondilite (Anquilosante) só é anquilosante se o próprio permitir por diagnóstico tardio, má informação, rejeição à situação, recusa ou falta de apoio de familiares, inacessibilidade a um seguimento adequado em instituições públicas de saúde.
A doença espondilítica tem má fama
porque, estando descrita há um século, de início,
os critérios de diagnóstico eram mal escolhidos. De facto,
o diagnóstico da doença era feito pelas consequências
que devemos e podemos evitar mediante comportamentos de prevençã,o
activa.
O conhecimento destes comportamentos é uma obrigação
para os médicos que o devem transmitir, para os doentes espondilíticos
que os devem cumprir diáriamente, para os familiares que devem apoiar
os doentes.
Promover o conhecimento do comportamento preventivo e das condições para que ele possa ser cumprido por todas as pessoas sofrendo de Espondilite (Anquilosante) ou de doenças afins (Espondilartropatias) com manifestações idênticas, é o grande desafio desta associação - A.N.E.A. e suas congéneres estrangeiras.
A boa organização de movimentos diários para todo o seu corpo é, para a pessoa que sofre de Espondilite Anquilosante o equivalente à necessidade que todo o diabético tem de organizar a escolha dos seus alimentos. A pessoa espondilítica tem de aplicar nos seus exercicíos diários um rigor idêntico ao que a pessoa diabética aplica na sua alimentação. Escolhemos a comparação para reforçar a ideia de que sem auto-disciplina de exercicíos diários não há nem prevenção de complicações, nem tratamento eficaz de Espondilite Anquilosante. É por causa desta absoluta necessidade que a ajuda familiar e a interajuda associativa são imprescindíveis para quem enfrenta a Espondilite Anquilosante de modo decidido.
O essencial é conseguir que todos os dias do ano,
as articulações atingidas sejam mobilizadas em toda a amplitude
ainda disponível.
É isso que tem de ser feito sem brutalidades corajosas
mas, de modo inteligente, sob a protecção do efeito do medicamento
anti-inflamatório (A.I.N.E.) no momento de pico de acção,
se necessário, e com a terna e tranquila ajuda de um familiar treinado
em saber ajudar. Nesta associação utilizamos, como base de
partida, o esquema semanal de exercicíos da Associação
Suíça nossa congénere, que editamos em tradução
portuguesa.
Como exemplo juntamos o esquema
de sexta-feira. Aos sábados convém participar numa classe
de exercicíos em grupo de espondilíticos, sob a orientação
de um fisioterapeuta ou fazer hidroterapia em piscina
quente (água aquecida à volta de trinta graus).